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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Meu Amanhecer

 Meu Amanhecer


Quero amanhecer teu dia sorrindo,

Viver de cada encanto todo esse espledor,

E, dedilhando sonhos, encontrar-me em teu encontro.


Se distante às vezes me sinto,

É que, a cada volta da vida,

Me vejo em asas, voando para te abraçar.


E amanhecendo, sigo sorrindo,

Mostrando ao mundo meu louco desejo,

De sempre te amar,

De sempre te desejar.


Leonardo de Souza Dutra 

sábado, 27 de junho de 2026

Sou da Terra da Sequidão


Sou da terra da seca,
onde a sede se mata devagar,
de gole em gole,
tomando água da quartinha
como quem recita uma poesia,
tirando da garganta a poeira.

Nessa longa curva da estrada,
os olhos vão se apertando
para poder enxergar.

E se em cada galho seco, quebrado,
minha sina depositar,
serei a canção dessa lida
que, em calos, me faz brotar.

E como insisto na vivência,
broto na sequidão.
Minha sede vou matando,
amansando a devastação.

Leonardo de Souza Dutra 

sábado, 9 de maio de 2026

EM AGONIA

 Em meio às agonias que sinto,

Me vejo seguindo distintos

Olhares que não verei outra vez.


Se vivo na vida calado,

É porque sinto o amargo

Do beijo que ficou no talvez.


Deixo o olhar sombrio e cansado

Cantar no peito fatigado

Aos olhos que já não me enxergam.


Leonardo de Souza Dutra 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

CAMINHAR NA CHUVA


Deixem-me caminhar na chuva,

não por acaso — mas por necessidade.

Que a água fria me invada os ossos

e dissolva, em silêncio, o que em mim grita.

Molhando o corpo, escondo a dor,

mas é na alma que a tempestade acontece.

Cada gota que cai

é um pranto que não ouso revelar.

Se caminho sob a chuva, não é em vão —

é fuga, é abrigo, é quase um pedido de fim.

Não quero olhos sobre mim,

não quero que contem minhas lágrimas.

E nessa longa travessia encharcada,

deixo que a chuva me desfaça aos poucos,

como quem aceita desaparecer

sem fazer ruído.

Mesmo que o mundo arda lá fora,

há em mim um frio que não cessa.

Então deixem —

deixem que eu me perca na chuva,

até que reste apenas o silêncio

onde antes existia esse ser.


Leonardo de Souza Dutra 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Às vezes é preciso

Às vezes é preciso, 

às vezes é pura necessidade,

deixar a imaginação caminhar,

seguir com os pensamentos

por caminhos embaralhados

ou mesmo por entre o sussurro do vento.

Às vezes é preciso

deixar a imaginação

imaginar o seu caminho,

mesmo que flores se tornem espinhos

e os pés sangrem no caminhar.

Às vezes é preciso

deixá-la ao léu

e, nas folhas de papel,

escrever um verso do caminhar;

ou simplesmente permitir que a imaginação,

com o toque de um pincel,

nas cores de um cordel,

pinte o sonho de te sonhar.


Leonardo de Souza Dutra 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Sozinho

 Se por longas estradas sigo a andar,

deixo às margens sonhos sem voltar.

Caminho só, no pó da solidão,

levando em mim vestígios da paixão.


E se da senda faço a minha vida,

busco em teus braços a esperança perdida,

o riso ausente em meu viver cansado,

eco distante de um amor passado.


Se os passos soam tristes pelo chão,

é porque ainda canta tua aflição.

Mas hoje, errante, sigo sem sinais:

meus pés já não te buscam nunca mais.


Leonardo de Souza Dutra 

Caminhos

 Se por longas estradas caminho,

Vou deixando as margens, sozinho.

São sonhos que hoje já não são mais.


E se vivo apenas da caminhada,

Em teus braços busco, amada,

O sorriso que em mim não existe mais.


Se sigo em passos sonoros,

É porque em mim ainda cantam teus ais.

Mas hoje, errante, caminho:

Meus pés já não te seguem mais.


Leonardo de Souza Dutra