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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Acauã




É triste meu senhor olhar distante o sertão sem florescer apenas o canto agoureiro da Acauã, quebrando a monotonia silente da caatinga, preludiando mais um ato de uma estação sem chuvas. Quero cantar o meu canto, não do agouro tua Acauã, quero cantar o meu canto  “que é pra chuva voltar cedo”. (L. Dutra)



          Acauã

Trazes a máscara da tristeza
Deste solo tórrido sertão,
O teu canto principia  Peste Negra
Que mata o gado,
A planta,
O cão.

Sobrevive o homem rude
Que só de calo espalha a mão.
Calejado se tem em alma
Sem a esperança a seca é seu quinhão.

O teu canto agoureiro
Que de longe anuncia
A terra seca sem chuva
Só se vê desolação
Que tir’alma sem alento
Do homem forte nosso irmão.

Teu olhar cor de terra
Já não tens compaixão.
Teu pisar escamoso
Pra serpente, sem salvação.

Esse teu canto agoureiro
Na galha seca do Angico,
Acauã,  pássaro vão.
Vai deixando  triste marca
Da morte que ronda
O homem,
Seu gado,
Seu cão.

Leonardo de Souza Dutra