OBJETO RARO
Eu quisera ser tão caro
Que fosse objeto raro.
Raro,
E não ter como valor.
Mas, diante de tudo, páro
E vejo sem ver.
Velejo
Na vela do ter;
E terei a dor.
Eu quisera da vida cara,
Na cara que é tão rara,
Ver rostos refletindo cor.
E, mesmo sendo tudo ausente,
No caro da cara, gente,
Amar e te dar amor.
Que finda,
Findando o dia,
E, na prece, surge novamente,
Fazendo o dia quente,
Quente teu ser em cor.
É cara a vida, cara.
Diante da peça rara,
Ser teu —
Prazer, amor.
Leonardo de Souza Dutra