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sábado, 26 de novembro de 2011

OBJETO RARO

OBJETO RARO

Eu quisera ser tão caro
Que fosse objeto raro.
Raro,
E não ter como valor.

Mas, diante de tudo, páro
E vejo sem ver.
Velejo
Na vela do ter;
E terei a dor.

Eu quisera da vida cara,
Na cara que é tão rara,
Ver rostos refletindo cor.
E, mesmo sendo tudo ausente,
No caro da cara, gente,
Amar e te dar amor.

Que finda,
Findando o dia,
E, na prece, surge novamente,
Fazendo o dia quente,
Quente teu ser em cor.

É cara a vida, cara.
Diante da peça rara,
Ser teu —
Prazer, amor.

Leonardo de Souza Dutra 

Ato Ilícito do Amor


 





     Ato Ilícito do Amor

Do meu ato ilícito de amar-te
Em silêncio...
Obrigado a indenizar rude razão
Revejo minha responsabilidade subjetiva
Assegurando princípio da culpa
Do dano à conduta desse agente.

Pela incapacidade de zelar
Por este coração insano.
E agora nesta coobrigação imputada
Declaro ipsis litteris
Desse amor que sempre Detive
A sufocar na garganta o grito
De querer te declarar.

Retorno ao desespero
A este cárcere a silenciar
Sem forças...
Para poder assim te proclamar
Perdoe-me
Do ilícito ato de te amar.

Leonardo de Souza Dutra