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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Às vezes é preciso


Às vezes é preciso, 

às vezes é pura necessidade,

deixar a imaginação caminhar,

seguir com os pensamentos

por caminhos embaralhados

ou mesmo por entre o sussurro do vento.


Às vezes é preciso

deixar a imaginação

imaginar o seu caminho,

mesmo que flores se tornem espinhos

e os pés sangrem no caminhar.


Às vezes é preciso

deixá-la ao léu

e, nas folhas de papel,

escrever um verso do caminhar;

ou simplesmente permitir que a imaginação,

com o toque de um pincel,

nas cores de um cordel,

pinte o sonho de te sonhar.


Leonardo de Souza Dutra 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Sozinho

 Se por longas estradas sigo a andar,

deixo às margens sonhos sem voltar.

Caminho só, no pó da solidão,

levando em mim vestígios da paixão.


E se da senda faço a minha vida,

busco em teus braços a esperança perdida,

o riso ausente em meu viver cansado,

eco distante de um amor passado.


Se os passos soam tristes pelo chão,

é porque ainda canta tua aflição.

Mas hoje, errante, sigo sem sinais:

meus pés já não te buscam nunca mais.


Leonardo de Souza Dutra 

Caminhos

 Se por longas estradas caminho,

Vou deixando as margens, sozinho.

São sonhos que hoje já não são mais.


E se vivo apenas da caminhada,

Em teus braços busco, amada,

O sorriso que em mim não existe mais.


Se sigo em passos sonoros,

É porque em mim ainda cantam teus ais.

Mas hoje, errante, caminho:

Meus pés já não te seguem mais.


Leonardo de Souza Dutra