Se por longas estradas sigo a andar,
deixo às margens sonhos sem voltar.
Caminho só, no pó da solidão,
levando em mim vestígios da paixão.
E se da senda faço a minha vida,
busco em teus braços a esperança perdida,
o riso ausente em meu viver cansado,
eco distante de um amor passado.
Se os passos soam tristes pelo chão,
é porque ainda canta tua aflição.
Mas hoje, errante, sigo sem sinais:
meus pés já não te buscam nunca mais.
Leonardo de Souza Dutra