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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

SOMOS

                                   

                   Tortuosos por certo,

                   Se de pedras e montanhas

                   Tortuosos caminhamos...

                   Vão assim sendo construindos

                   E por certo transformados 

                   No momento de estarmos juntos,

                   Mas quando cruzarmos nossas estradas

                   Perceberemos,

                   Perceberás...

                   Que nenhuma será o fim,

                   Pois saberemos 

                   Sempre haverá um novo início de tudo.


                   Leonardo de Souza Dutra

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

QUEM SE FOI SEM DEIXAR SAUDADE


                        Deixei nesse instante a vida...

                        Divagou nos pensamentos, se é que ainda

                        Existia tal princípio

                        Deixou a vida ...

                        Refletiram todos como que por encanto

                        Deveria deixar a vida

                        Ou a vida o deixara?

                        Havia agora dúvida.

                        Desejou retornar para poder explicar

                        Mas aquela vela que iluminava seu caminho

                        O impedia de voltar

                        Voltaria em alguma reunião de amigos?

                        Se é que houvera amigos

                        E será que lembrariam dele ainda

                        Pouco tempo depois de sua ida.

                        Uma secura na garganta de alguns

                        Induzia a um gole após a cerimônia

                        Para matar a saudade?

                        Outra dúvida..., que negro pensar.

                        Ele já distante do corpo e dos amigos

                        Agora enfrentaria seu julgamento

                        Um livro, outro e mais outros

                        Incontável, saberíamos após uma breve visita

                        E agora que destino seria destinado

                        Ao que já não mais jaz.

                        Houve uma festa lá e cá

                        Por saber que aquele não voltaria para cá

                        E por saber que não o encontraríamos lá.

                        Um brinde!


                        Leonardo de Souza Dutra

OUTRA VEZ TEUS OLHOS


         Quando em acalanto surgir teu olhar

         E na brisa morna estiver

         Estendido meu corpo,

         Sangrarei.

         E teu olhar passar por sobre mim

         Que como sombra dessa imagem tua

         Aquele que em rubra imagem se desfez

         Voltará à vida.

         Mesmo que na distância

         O teu meigo olhar transformará

         Em apenas um estender de mãos,

         Não haverá lágrimas, pois elas

         Por ti foram levadas.

         Mas se estendido sobre pedras

         Encontrar-se meu corpo

         E nessa árida melancolia

         For tragado pelo ocultar de teus olhos

         Deixarei imolar como Prometeu

         Acorrentado ao teu destino pedra.

         E já sem poder formar meu sonho

         Sonharei o teu e me farei assim

         No encanto de poder encantar meu povir.

         E se um dia voltar a ver teu olhar sobre o meu

         Ressurgirei...

         Farei dos teus os meus

         Quando o teu olhar surgir outra vez.


        Leonardo de Souza Dutra

 

 

AFAGO

Queria de ela           

Dizer assim:

Amar-te na morte,

Morrer d'amor

É festa no festim

Da brasa em corpo.

Taça

Que brinda o afago

Do teu corpo em mim.

 

Leonardo de Souza Dutra

VAMOS ASSIM

 Somos o tempo que passa

Que se forma no caminho

Deixando seu rastro a cada passo

Mesmo caminhando sozinho

Somos assim a sorte lançada

Dessa vida desgarrada

Que se mata em solidão

Vamos assim...

Sentido na pele molhada

A loucura desvairada

De uma sede alucinada

Do olhar triste vastidão

Somos o tempo que passa

Mesmo diante da sorte

Lançados na vida sem  norte

Nesse olhar vastidão.

            Leonardo de Souza Dutra

terça-feira, 25 de outubro de 2022

ONDE POSSO CANTAR SOZINHO


Já vive a vida do sertão

A dura sorte,

Onde a morte enfrenta a vida

E a vida enfrenta a morte

Tendo minhas mãos calejadas

Corpo arrastando ao chão

Alvorada sempre vejo

Orvalho molhar o chão

Passarada no arvoredo

Canto que me faz pesar

Pensar da vida e morte

Luta brava de titãs

Sou eu nesta estrada poeira

Moribundo coração

No palco duro da lida

Navego meu mar sem fim

Vou em nau desses sonhos

Sonhar por dias que podem vir...

Já vive do sertão

A dura sorte

Onde já venci a vida

Onde já vive a morte.


Leonardo de Souza Dutra

 

 


sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Dor d’Alma


A dor que dói
É a dor de doer,
Quando sangra
No peito quente
A alma sente, traduz
O clima crepuscular
Aninhado pela luz
Pálida fugaz
Triste...
 
Incapaz de definir
Contornos,
É esta a indescritível
Dor
De doer.
Que vem revelando
Circunstâncias mesquinhas
Do amargo fel
De pequenos detalhes
Da dor que dói.
 

Leonardo de Souza Dutra