Deixem-me caminhar na chuva,
não por acaso — mas por necessidade.
Que a água fria me invada os ossos
e dissolva, em silêncio, o que em mim grita.
Molhando o corpo, escondo a dor,
mas é na alma que a tempestade acontece.
Cada gota que cai
é um pranto que não ouso revelar.
Se caminho sob a chuva, não é em vão —
é fuga, é abrigo, é quase um pedido de fim.
Não quero olhos sobre mim,
não quero que contem minhas lágrimas.
E nessa longa travessia encharcada,
deixo que a chuva me desfaça aos poucos,
como quem aceita desaparecer
sem fazer ruído.
Mesmo que o mundo arda lá fora,
há em mim um frio que não cessa.
Então deixem —
deixem que eu me perca na chuva,
até que reste apenas o silêncio
onde antes existia esse ser.
Leonardo de Souza Dutra
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