Sou os caminhos
Que o destino ousou desenhar.
Trago no peito um ninho solitário,
Onde aprendi, em silêncio, a navegar.
Se tantas vezes a vida me fez sofrer,
Foi porque os encontros vestiram-se de despedidas.
E quando entrego o dia às esperas,
É na noite que reencontro minha partida.
Solitário, prossigo o caminho,
Ainda que amargo seja o chão sob meus pés.
Mas respiro o vento em pequenas doses,
Como quem guarda a esperança que não se desfaz.
Porque sei que, além do tempo e da distância,
Há um instante reservado ao nosso olhar.
E, quando o destino enfim cumprir seu traço,
Estarei aqui... apenas para te ver chegar.
Leonardo de Souza Dutra
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