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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Aos que ficarem


















AOS QUE FICAREM

Quando apenas só
Passamos o pensamento a limpo.
Eles, os pensamentos,
Que de grão em areia
Vão se tornando pó.
Se se inalado
Entra rapidamente,
Fazendo do coração da gente
Aquilo que ninguém sente.
E vai batendo mais forte
E nas águas molhamos os olhos,
As mãos correm ao peito mea culpa
E não nos sentimos mais senhores
Quer do tempo
Quer de nós.
Vagaremos nessa lacuna
Se se isolado
Somos poucos,
Haverá um dia...?!
Seremos talvez muitos
Não pelos que foram ficando ao longo do caminho
Caindo
Ao fogo inimigo,
Mas por aqueles que sobreviveram.
Sonhadores,
Poetas,
Loucos,
Palhaços.

Leonardo de Souza Dutra

O SONHO DE DÉDALO


 








 
Somos da mesma estirpe

Comemos do mesmo pão

Sabemos que alguém a mesa nos trairá.

Temos o mesmo sonho

Se não sonhado.

Será ele, o sonho, mais desejado.

Quer por outrem quer por nós

Passamos a não entender

Por sermos da mesma estirpe

Por termos o mesmo sentimento

Não, nunca nos encontraremos no passado.

Amamos,

Desamamos

Andamos,

Desandamos.

Em nós mesmos.

...

Somos agora um labirinto

Por sermos da mesma estirpe

Voaremos?

Se fora dosado pelo sonho de Dédalo

Rente as águas rastejamos

Rasgaremos os ares

Teus altares, os meus.

Por sermos da mesma estirpe.





Leonardo de Souza Dutra








sábado, 10 de dezembro de 2011

TEU ENTENDIMENTO













TEU ENTENDIMENTO

Aos que puderem entender
Deixo-me
Como agonizante cão sarnento
Trilhando sua comida
Querendo algo do olhar afetuoso.

Que mão bailadeira trafega
Na busca de sua direção.
Agora como fluido da própria personalidade
Água
Seja ela não eu.

Aos que entendem
Sou ar
Sou raro
Sou feito do hálito
Que você
Me vê.
                                  
Passo por entre frestas nada me detém
Se brinco com tua saia
É porque  permissão no teu corpo
Já me deu
Deixo-me
Ao poder desse entendimento.

Leonardo de Souza Dutra