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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

OUTRA VEZ TEUS OLHOS


 

         Quando em acalanto surgir teu olhar

         E na brisa morna estiver

         Estendido meu corpo,

         Sangrarei.

         Em te ver passar por sobre mim

         Que como sombra dessa imagem nua

         Aquele que em rubra imagem se desfez

         Voltará à vida.

         Mesmo que na distância

         Esse teu meigo olhar transformara

         Em apenas um estender de mãos,

         Não haverá lágrimas, pois elas

         Por ti foram levadas.

         Mas se estendido sobre pedras

         Encontrar-se meu corpo

         E nesta árida melancolia

         For tragado pelo ocultar de teus olhos

         Deixarei imolar como Prometeu

         Acorrentado ao teu destino pedra.

         E já sem poder formar sonho

         Sonharei e me farei assim

         No encanto de poder encantar esse povir.

         E se um dia voltar teu olhar

         Ressurgirei...

         Em riso

        

         Leonardo de Souza Dutra

    


terça-feira, 22 de outubro de 2019

O SOL NO TEU CORPO


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O SOL NO TEU CORPO
Leonardo de Souza Dutra

Sabes daquele sol que nos aquecia?
Hoje já não nos aquece mais.
Mas sua luz fecunda,
Que em raios se irradia,
Escuto em silêncio
Teus passos, teus olhos, teus ais.

Se me manifesto em desejo,
Acalento um dia voltar a te olhar.
Mesmo que distante, em sonhos,
Ver-me ao sol banhar teu corpo,
Pois de tão bela, a beleza é fugaz.

E quando a manhã, em seu canto,
Não traz teu ser, meu encanto,
Resta a agonia de te sonhar.
Pois, na distância dos meus olhos,
Guardo teu meigo sorriso
E o jeito de me abraçar.

E se novamente eu sonhar o sol
Em teu corpo banhado de paixão,
Deixo meu verso cantado,
Em rimas de raios claros,
Na claridade da solidão.

Leonardo de Souza Dutra

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

TUA SINA

 


Onde a estrada não tem rumo
Onde o rumo é sempre a morte
Onde nasce a fome vida
Onde vive a dura sorte.

Onde canta em revoada
Acauã agouro negro no sertão
Se não chove terra seca
Seca a vida a visão.

Que de longe já não mira
Esperança solidão
É a sorte dessa lida
Lida dura mansidão

Morre homem, morre gado
Morre a morte vastidão
Sina triste teu legado
Dessa morte sem perdão.


Leonardo de Souza Dutra

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

QUIMERA

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QUIMERA

Insano é o amor
Desvairado tornou-se coração
Pungente,
Sangra,
Sofre,
Agoniza.

Desejando a sombra ardente
De uma quimera...

Agora insano
Amor ardente
Vive,
Sonha,
Chora,
Se agita.

No embalo
Desse distante amor
Ausente,
Bate ainda no peito
O amor,
Que ama,
Sonha
E sente. 

Leonardo de Souza Dutra




quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

FOME VIL


FOME VIL
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A dor que me sangra o peito
É tão grande quanto a que me consome o ventre,
O desejo que tenho na alma
É tão grande quanto a vontade que me acalma.

Se trago, fraco grito
É que outrora já não sinto
O ardor do Sol no coro e chão.

E já nascido forte
Hoje não vejo o norte
De ver matar solidão.

Abraçado a frágeis esperanças
Que de olhar perdido estão
É a dor de uma alma
A alma que me faz te ver sertão.

Pisando em solo poeira
Respiro teu ar febril
Me vem a mente insana
Matar a fome vil.

Leonardo de Souza Dutra

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Perdi o encanto das flores

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PERDI O ENCANTO DAS FLORES


Derramar-se em pranto
Aquele que antes era apenas sorriso
Viver em angustia
Aquele que era passarinho,

Passando em ledos momentos
Surgir na alma gesto
Da dor
Que te deixando em desalinho.

É porque antes nunca o tiveste
A cor do canto,
O  encanto das flores.
E o canto do passarinho.

Que te faz assim
Viver teu canto,
Viver teu mundo 
Viver Sozinho.

Leonardo de Souza Dutra


quinta-feira, 28 de julho de 2016

Gotejar

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                   GOTEJAR   

         Goteja lá fora a chuva fria
         Goteja aqui dentro meu coração
         É fria a chuva lá fora
         Está com frio meu coração.

         Olho através da janela alguém que passa
         Vejo seus passos molhados,
         Molhando o asfalto
         É sério confirmo seu caminhar

         Lá se foi mais um passante
         Não o conheço
         Não perguntei seu nome
         Deixando apenas seus passos molhados a caminhar.
         
         Volto a mim mesmo
         Estranho pensar em você
         Quando chove lá fora 
         Molhando tudo que se vê
         
         Me projeto como  uma gota perdida 
         Entre tantas que se vão
         Buscando molhar'alma
         Que molha em mim a escuridão.
         
         Tedioso olhar alma sofrida
         Que sofre, chora em vão
         Da chuva que chove lá fora
         Gotejando assim nessa canção

Leonardo de Souza Dutra