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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

Goteja a chuva fria

 

           Goteja lá fora a chuva fria

         Goteja aqui dentro meu coração

         É fria a chuva lá fora

         Está com frio meu coração.

         Olho através da janela alguém que passa

         Vejo seus passos molhados

         Molhando o asfalto,

         É sério confirmo seu caminhar

         Lá se foi mais um passante

         Não o conheço

         Não perguntei seu nome.

         Deixando apenas seus passos molhados no asfalto.

         Volto a mim mesmo

         Estranho pensar em você

         Quando chove lá fora.

         Me projeto como  uma gota perdida entre tantas outras.

         Filosofar é tedioso nesse momento

         Quando vejo a chuva lá fora

         Aqui dentro não há diferença.

         E vamos nós como chuva, levados

         Nessa nuvem densa

         Que dança ao som de um rítimo cadenciado.


         Leonardo de Souza Dutra

 

SINFONIA PARA DIZER QUE SEMPRE TE AMEI


 
                        Viemos de dois mundos
                        Diferentes não na forma,
                        Reside apenas no tempo.
 
                        O teu cálido por certo
                        A mostrar teu dom de encantar.
 
                        O meu incerto na busca
                        De te buscar
 
                        O teu soava para mim como
                        Que aurora despertando o canto do guriatã.
 
                        O meu tépido, sombrio
                        Calado a escutar o teu,
                       
                        O teu em brilho
                        Que ao sol
                        Se ofusca ante a beleza
 
                        O meu assim pardo sem teto
                        E em mil lágrimas se fazia.
 
                        Assim teu mundo foi se chegando
                        Como cada amanhecer.
                        E no entardecer
                        Sempre estava a espreitar.
 
                        E para dizer que te amo
                        Escrevi essa sinfonia
                        Que nesse desencanto
                        Pudera assim repousar?
                       
                        Devo dizer mais uma vez
                        Antes que a última nota venha a se perder
                        Mostre-me esse teu corpo
                        Como parte de tudo aquilo que me é estranho
                        Sonora venhas
                        Mesmo em sonhos
                        Se eu sonhar.
 
 

                        Leonardo de Souza Dutra                 

TEU RISO


 

 

         Hoje me vi  a  falar de teu riso
         Que como um acorde soara para mim
         Colocando no papel tua docilidade
         Que se iniciaria assim:
         Teu riso nele esse teu jeito de ser
         Ao ver em teus lábios essa clara evidência
         Da alma que estampa o rosto em brilho
         Quem não sonharia em poder compreendê-lo
         Ah! esse teu riso
         Deixarei meus olhos contemplar.
         Mais uma vez
         E todas as vezes que os tiver perto de mim,
         Se pudesse colocar em  tela
         Seria como imagem de cada movimento teu
         Pois é assim que construímos a vida  
         De momentos 
         Teu riso hoje o vi...
         Como uma janela que se abre para o belo
         Estava ele  no mais belo de todo ser.
         Desejo a cada momento poder fazer parte
         Desse inundar
         Que é estar no  teu riso.


        
          Leonardo de Souza Dutra

 

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

OUTRA VEZ TEUS OLHOS


 

         Quando em acalanto surgir teu olhar

         E na brisa morna estiver

         Estendido meu corpo,

         Sangrarei.

         Em te ver passar por sobre mim

         Que como sombra dessa imagem nua

         Aquele que em rubra imagem se desfez

         Voltará à vida.

         Mesmo que na distância

         Esse teu meigo olhar transformara

         Em apenas um estender de mãos,

         Não haverá lágrimas, pois elas

         Por ti foram levadas.

         Mas se estendido sobre pedras

         Encontrar-se meu corpo

         E nesta árida melancolia

         For tragado pelo ocultar de teus olhos

         Deixarei imolar como Prometeu

         Acorrentado ao teu destino pedra.

         E já sem poder formar sonho

         Sonharei e me farei assim

         No encanto de poder encantar esse povir.

         E se um dia voltar teu olhar

         Ressurgirei...

         Em riso

        

         Leonardo de Souza Dutra

    


terça-feira, 22 de outubro de 2019

O SOL NO TEU CORPO


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O SOL NO TEU CORPO
Leonardo de Souza Dutra

Sabes daquele sol que nos aquecia?
Hoje já não nos aquece mais.
Mas sua luz fecunda,
Que em raios se irradia,
Escuto em silêncio
Teus passos, teus olhos, teus ais.

Se me manifesto em desejo,
Acalento um dia voltar a te olhar.
Mesmo que distante, em sonhos,
Ver-me ao sol banhar teu corpo,
Pois de tão bela, a beleza é fugaz.

E quando a manhã, em seu canto,
Não traz teu ser, meu encanto,
Resta a agonia de te sonhar.
Pois, na distância dos meus olhos,
Guardo teu meigo sorriso
E o jeito de me abraçar.

E se novamente eu sonhar o sol
Em teu corpo banhado de paixão,
Deixo meu verso cantado,
Em rimas de raios claros,
Na claridade da solidão.

Leonardo de Souza Dutra

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

TUA SINA

 


Onde a estrada não tem rumo
Onde o rumo é sempre a morte
Onde nasce a fome vida
Onde vive a dura sorte.

Onde canta em revoada
Acauã agouro negro no sertão
Se não chove terra seca
Seca a vida a visão.

Que de longe já não mira
Esperança solidão
É a sorte dessa lida
Lida dura mansidão

Morre homem, morre gado
Morre a morte vastidão
Sina triste teu legado
Dessa morte sem perdão.


Leonardo de Souza Dutra

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

QUIMERA

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QUIMERA

Insano é o amor
Desvairado tornou-se coração
Pungente,
Sangra,
Sofre,
Agoniza.

Desejando a sombra ardente
De uma quimera...

Agora insano
Amor ardente
Vive,
Sonha,
Chora,
Se agita.

No embalo
Desse distante amor
Ausente,
Bate ainda no peito
O amor,
Que ama,
Sonha
E sente. 

Leonardo de Souza Dutra