Páginas

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Sozinho

 Se por longas estradas sigo a andar,

deixo às margens sonhos sem voltar.

Caminho só, no pó da solidão,

levando em mim vestígios da paixão.


E se da senda faço a minha vida,

busco em teus braços a esperança perdida,

o riso ausente em meu viver cansado,

eco distante de um amor passado.


Se os passos soam tristes pelo chão,

é porque ainda canta tua aflição.

Mas hoje, errante, sigo sem sinais:

meus pés já não te buscam nunca mais.


Leonardo de Souza Dutra 

Caminhos

 Se por longas estradas caminho,

Vou deixando as margens, sozinho.

São sonhos que hoje já não são mais.


E se vivo apenas da caminhada,

Em teus braços busco, amada,

O sorriso que em mim não existe mais.


Se sigo em passos sonoros,

É porque em mim ainda cantam teus ais.

Mas hoje, errante, caminho:

Meus pés já não te seguem mais.


Leonardo de Souza Dutra 

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

O Recife é assim.

 

O Recife é assim:

Tem cores,
Tem encantos,
Uma brisa suave que sopra
Sussurrando amores,
Guardando rumores
De noites em solidão.

Em olhos buliçosos,
Que se movem a provocar,
És como tuas águas
Serpeando as margens,
Ondulantes rumo ao mar.

És o sol de cada manhã,
Inebriando olhares
Que, debruçados nas paisagens,
Se deixam imaginar.

E vais movendo teus ares
Diante de todos os altares,
Criando em cada esquina
O desejo de te venerar.

Assim seguimos, Recife,
com essa ânsia de te abraçar.

Leonardo de Souza Dutra

sexta-feira, 5 de abril de 2024

UM RETRATO DE MULHER

 

            UM RETRATO DE MULHER


            Para pintar um retrato de mulher

            Escolha uma emoção, deixe levar por ela

            Tome a parte mais terna de um sonho

            Transforme em tinta.

 

            Afaste dos olhos todos os outros - se houvera

            Prenda a tela a um canto

            Do lugar mais particular seu

            Junte a este canto, o canto de uma voz não presente

           

            Coloque na tela uma rosa, agora o jardim

            Espere passar por este jardim a dona do canto.

            Se demorar, não desanime ela vira –

            Se no outono -

            Se no inverno -

            Se no verão.

           

            Não haverá primavera caso não venha,

            Mesmo assim deixe permanecer as flores no canto da tela

            Um dia, quem sabe, ela mude o rumo e venha

            Caso ela venha, contorne docemente o pincel em suas mãos,

            Fazendo-os voar como uma fênix

            Tome a liberdade de contornar seu corpo

            Com cuidado

            Debruce sobre ela o mistério do crepúsculo

            Envolva a tela com uma tênue imagem de mistério

            Tire neste momento o véu que cobre os seus cabelos

            Traga a brisa suave e deixe desalinhá-los

            Retire da tela o jardim e a rosa

            Deixe-a voluntaria refletir toda emoção

            Espere por vê-la sonhar,

            Se ela não sonhar será um mal sinal

            Mas se sonhar será sinal de um bom signo.


           Leonardo de Souza Dutra


           

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

A MORTE POR UM FIO

       A MORTE POR UM FIO

 

         Morre formiga, morre!

         Gritou surdamente enfurecido.

 

         Sobre uma escrivaninha

         Abandonada, vagava lerda formiga.

         Serva de tantos servos

         Severa em sua missão

         Jornada longa em busca de informação

         Deixando suas antenas tocarem o ar

         Demonstrando intimidade com o instinto.

 

         Jogado a um canto da biblioteca

         Olhos agudos

         Ar sombrio,

         Imobilizado

         Transferia para dentro de si

         O vagar alucinado da formiga

         Vendo-a

         Pareciam perdidos

         Um buscando o caminho, outro uma solução

 

         Morre formiga, morre!

         Gritou surdamente enfurecido.

 

         Se perdida

         Se perdido

         Estavam em uma única ideia, eles, atados

         Como que querendo desmembrar sua parte formiga

         Arremessou-lhe sua visão formiga

         Deixando cair indolentemente pesado livro

         Desfigurando assim a rubra formiga

         Que um dia se aventurou a percorrer a escrivaninha

         empoeirada de uma biblioteca.

 

         Morreu a formiga, morreu!


        Leonardo de Souza Dutra

NASCER PARA A ALVA

                                           NASCER PARA A ALVA 

 

                                    Onde estás que não te vejo

                                    Hoje não te sinto

                                    É sinistro o tempo

                                    Que envelhece os dias,

                                    Anoitecendo os olhos

                                    Que já foram sóis.

 

                                    Solitário andar ausente

                                    Na escuridão

                                    Clarão de outros olhos

                                    A murmurar assim...

 

                                    Que venhas a me embalar

                                    E ainda que cansados teus olhos

                                    Deita-te ao meu lado

                                    Faz do meu ser o teu.

 

                                    Embriaga-me

                                    Do teu suor

                                    Inundando com teus beijos,

                                    Quero morrer nos teus seios

                                    E nascer para a alva

                                    Do teu corpo

                                    Catando viver.


               Leonardo de Souza Dutra

 

 

 


Encanto

 

                         Encanto

 Se esse teu encanto se mostra assim:

 Entre risos,

 Entre folhas.

 E em cada canto

 Seria apenas o que mostras para mim,

 Mas se um dia puder não vê-lo

 Estarei aqui     

 Sempre a imaginar o quanto me foi belo   esse teu

Encanto...

 

Leonardo de Souza Dutra